Agora e Depois

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UNIÃO DE MÚSICOS

                                             

                                   Para o Luís Bettencourt

 

Vão entrando na sala

do moderno edifício escolar.

Um após outro,

sem qualquer fardamento especial.

Homens, mulheres,

em plena juventude alguns, outros chegados à matura idade.

Sem pressas, conhecendo cada qual

o seu lugar.

E, com eles entrando, os instrumentos

vários de tamanho e forma e sentimento,

necessários

à suprema arquitectura imaterial dos sons,

trazidos na modéstia de quem traz

apenas uma enxada, uma serra mecânica

um ferro de passar, uma máquina de escrever.

E se há orgulho em carregar

utensílios tão nobres, que provocam

a unânime harmonia dos que escutam,

esse orgulho é discreto, interior.

 

Fico a saber que provêm estes músicos

das nove ilhas dispersas neste mar

que nos separa e nos une

para sempre.

 

Descanso o meu olhar em cada rosto

e descubro que são de origens bem diferentes:

– louros de Flandres, morenos de Alentejo –

açorianos todos como eu.

(Quantas raças de Europa existem neste povo!)

 

Há três dias apenas se encontraram no seu todo,

pela primeira vez.

Trabalharam em grupo, dirigidos

pela mão industriosa do maestro,

um convidado de mais longe ainda,

que assim os fez improvisada filarmónica.

 

E com que fluidez e alegria

produzem esta música,

que se ergue e ressoa

primeiro em cada ouvinte,

digamos que depois em toda a Ilha,

e em todo o Arquipélago!

 

Na verdade,

como é bom poder alguém orgulhar-se

deste povo!

 

                                        NORBERTO ÁVILA